sindicato dos trabalhadores em entidades de assistência e educação a criança ao adolescente e à família do estado de São Paulo

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TCM confirma o que o SITRAEMFA denuncia há anos: dobro de crianças por professor, salários menores e um ciclo de adoecimento nas creches conveniadas de SP

Auditoria escancara política de precarização sustentada às custas da saúde das trabalhadoras; Sindicato cobra jornada de 6 horas, valorização profissional e fim da negligência estrutural
A auditoria do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP) apenas confirmou aquilo que o SITRAEMFA – Sindicato das Trabalhadoras da Rede Conveniada – denuncia há anos: número insuficiente de profissionais, salários defasados e condições de trabalho cada vez mais exaustivas.

O levantamento do TCM revelou que as creches conveniadas chegam a ter o dobro de crianças por professor em comparação à rede direta: 9,3 alunos por docente contra 4,4. A diferença real, no entanto, vai muito além dos números. O que existe, na prática, é uma política deliberada de precarização sustentada às custas do esforço, da saúde e da sobrecarga das professoras da educação infantil.

Essa realidade, segundo o SITRAEMFA, não é novidade para quem vive diariamente dentro das unidades. O que o TCM fez foi dar status técnico e oficial a uma realidade que a categoria e sindicato já conhecia bem: salas lotadas que não condiz com o Plano de Educação, jornadas exaustivas para cobrir o funcionamento nas creches, falta de planejamento e uma discrepância salarial que chega a 38% menor para professoras e até 53% menor para gestoras da rede conveniada em relação à rede direta.

Enquanto a atual gestão insiste em utilizar de forma eleitoreira o discurso de “filas zeradas” na educação infantil, a auditoria do TCM mostra a que custo essa suposta eficiência é alcançada.

“Não existe avanço na educação quando ele acontece às custas do adoecimento dos trabalhadores e da precarização do atendimento”, denuncia o SITRAEMFA.

Mesmo abandonadas pelo poder público, enfrentando salas superlotadas e ainda atendendo crianças atípicas sem o suporte necessário (sem profissionais de apoio, sem formação específica, sem estrutura adaptada), as profissionais da rede conveniada seguem realizando um trabalho de excelência.

São trabalhadoras que acolhem, cuidam, educam e sustentam a educação infantil na cidade de São Paulo mesmo sem estrutura adequada, sem valorização e com salários justos. A luta diária dessas profissionais é o que mantém de pé um sistema que a Gestão insiste em tratar como solução barata.

Adoecimento é consequência direta da negligência

Um dos pontos mais graves ignorados pela gestão municipal, já apontada pelo SITRAEMFA e agora escancarados pelo TCM é o adoecimento da categoria. A auditoria apontou que a falta de profissionais gera sobrecarga crônica, que por sua vez provoca afastamentos por problemas físicos e emocionais – aumentando ainda mais a pressão sobre quem permanece nas unidades.

“É um ciclo cruel que compromete a saúde física e emocional das trabalhadoras e também a qualidade do atendimento oferecido às crianças”, já alertado pelo SITRAEMFA.

O relatório do TCM também identificou a ausência de registros pedagógicos do desenvolvimento e da frequência dos bebês e crianças – um reflexo direto da falta de tempo para planejamento (apenas 2 horas semanais na rede conveniada, contra 10 horas na rede direta) e da ausência de um segundo professor por turma para cobrir as 10 horas diárias de funcionamento das creches, já apontado pelo SITRAEMFA, com a falta de isonomia entre a Rede Conveniada e Rede Direta.

Proposta pedagógica sem condições de execução

O SITRAEMFA reforça um ponto que a auditoria deixa nas entrelinhas, mas que a prática do dia a dia escancara: não adianta ter uma proposta pedagógica se não há condições mínimas nem tempo hábil para executá-la.

O “Currículo da Cidade” – documento que norteia a educação municipal – exige acompanhamento individualizado, escuta sensível, planejamento coletivo e formação continuada. Nenhuma disso é possível com:

  • Um único professor por turma (enquanto a rede direta tem dois);
  • Apenas 2 horas semanais para planejamento;
  • Salas com quase o dobro da capacidade de crianças;

“Educação de qualidade não se constrói com propaganda. Se constrói com investimento, respeito e valorização de quem está diariamente dentro das salas de aula”, afirma o sindicato, que conquistou o PISO NACIONAL e continua na luta pelas 6 horas, para as professoras com isonomia!

6 horas, já, com isonomia!